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Memória dos 25 anos da CAJU - Pe. Mirim print E-mail






“É melhor errar com jovens do que acertar sozinhos/as... Pe. Albano Trinks”

Dando continuação à Assembleia dos 25 anos da Casa da Juventude, a tarde do dia 27 de março foi de memória, motivada pelo Pe. Laudimiro de Jesus Borges (Pe. Mirim).

O momento foi iniciado com a indagação sobre o que é fazer memória. Segundo Mirim, para fazer memória, precisamos nos perguntar: Por que estamos fazemos memória?; Que momento estamos vivendo?; Por que alguns fatos são lembrados e outros esquecidos?

Memória “é momento de lembrar fatos, acontecimentos do passado, que queremos perpetuar, tornar inesquecível, passar de geração em geração, atualizando e projetando para o futuro, reafirmando os compromissos. Memória é um lugar também de lutas e resistência. Um povo que esquece a sua história, sua caminhada não merece viver. Memória tem haver com corpos, com sentidos (memória corporal e sensorial), com marcas, esperança, sonhos, utopias...”

Ao fazer memória dos 25 anos da Casa da Juventude, Pe. Mirim faz um percurso para recordar a Casa, o Caminho, o Corpo e o Compromisso:

A Casa

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A Casa nasce com a desconstrução, de outra casa. Casa construída para ser de religiosos, homens, celibatários, jesuítas, professores da Católica... Em 1983 chega Albano, homem grande, sulista, olhos abertos, chimarrão na mão, fala suave, apaixonado pela juventude... Começa a servir como assessor da pastoral da juventude na arquidiocese e no Regional Centro-Oeste, professor do IFITEG e acompanha as comunidades eclesiais de base – região Balneário (Granja).

Nesta época eu era aluno do IFITEG, Albano foi meu professor. Certo dia ele me chamou para conversar, falou da proposta da sua província Brasil Centro-Leste de trabalhar com os/as jovens, que a residência deles: casa grande, ociosa, que era um contra testemunho... “Onde fica nossa opção?” Passaria a ser um Centro de Juventude. Este espaço deveria oferecer uma formação para as lideranças, com encontros, cursos, retiros. No final da conversa convidou-me para uma reunião, na sua casa, para aprofundar a proposta.

Minha entrada na casa pela primeira vez foi para participar desta reunião, éramos 7 pessoas: Albano, Salma, Aidete, Vicente, Anésio, Brandão e eu. Foi uma reunião bem gostosa, simples, profunda: momento de apresentação, proposta do que seria a casa, o que nós achamos da proposta e encaminhamentos... Outras reuniões foram marcadas. Desta reunião recordo de uma frase de Albano: “que a casa seria uma casa aberta aos jovens pobres”, servidora.

Em outubro de 1984, nos dias 19 a 21 tivemos nossa primeira atividade: Encontro de capacitação de liderança, com jovens de Campinas. Que dia bonita, sol, chuva, flores na avenida, organização da casa, preparar os espaços, lavar, juntar as cadeiras, montar a sala. É a saída dos padres com suas mudanças e a chegada da juventude, alegre, trazendo vida, beleza, encanto. Naquele momento começa um Novo tempo para a juventude do Centro-Oeste.

Nestes 25 anos a Casa passou por várias mudanças, adaptações, reformas, construções...Mas não perdeu a sua essência de ser uma casa acolhedora, profética, servidora, bíblica, ousada, solidaria, martirial, latino-americana.

O Caminho

O caminho percorrido nestes 25 anos não foi muito fácil, a Casa passou por vários momentos de crise, dificuldades econômicas, necessidade de redefinir as funções, os objetivos, o caminho pedagógico. Desde o início este caminho foi marcado pela metodologia da pastoral da juventude: ver-julgar-agir.

A pedagogia assumida pela Casa nestes 25 anos:
a) Método: ver-julgar-agir-avaliar-celebrar
b) Paulo Freire: partir da realidade – prática-teoria–prática ou ação-reflexão-ação
c) Arte, a beleza com instrumentos metodológicos/pedagógicos
d) Leitura orante da bíblia
e) Consciência corporal – holística – cósmica - planetária
f) Vivencial
g) Mística do cuidado
h) Elaboração do projeto de vida
i) Planejamento
j) Ofício Divino da Juventude

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Este caminho foi feito por pessoas, tem as testemunhas da primeira hora, as que chegaram as nove, ao meio dia, à tarde, quem sabe a noite... São as nuvens das testemunhas! Este caminho também foi construído por palavras: palavras antigas, palavras novas, palavras proféticas, palavras andantes, palavras mágicas, palavras poéticas, palavras de ternura, palavras duras, palavras transgressoras, palavras encantadas.

Para terminar essa memória do caminho, da pedagogia da Casa, do seu jeito de fazer o trabalho no dia-a-dia, recordo duas frases do Albano, para mim é mais do que uma frase, é um sonho:

  • Que a Casa c. Sermos uma Casa de pessoas influenciadas por Jesus e não uma Casa de admiradores/as de Jesus;

  • É melhor errar com os/as jovens do que acertar sozinhos.

    O Corpo

    O corpo é o lugar das memórias (os nossos sentidos). O corpo é nossa linguagem radical: por meio dele recebemos, comunicamos, expressamos, rezamos... Daí a importância dos nossos vários sentidos na memória: cheirar (olfato), degustar (paladar), tocar (tato), ouvir (audição), ver (visão)... Nestes 25 anos a Casa da Juventude rezou, meditou, contemplou, cuidou da vida partindo de Jesus e dos nossos sentidos, do nosso corpo, “experimentar a vida com todo o nosso ser”. Ajudou-nos a perceber com nossos sentidos, entender com nossa mente, compreender e saborear com nosso coração.

    Nesta caminhada de 25 anos a Casa nos ajudou a estar atentos e atentas aos nossos gritos, a ouvir as nossas histórias pessoais, comunitárias. Estar atentos, atentas aos gritos da cidade, do campo, dos/as indígenas, das mulheres, dos/as pobres, das juventudes... É preciso olhar por cima do murro... Os gritos silenciosos e silenciados.

    O Compromisso

    O que sustentou os compromissos assumidos pela Casa nestes 25 anos foram três colunas: a bíblica; a celebração/espiritualidade/mística (arte/beleza); e a ética/cidadania.

    Bíblica: desde o início da Casa vem como iluminação, como ferramenta da nossa metodologia. Palavra proclamada e Palavra vivida. Que caminho bonito foi percorrido nestes 25 anos. Escolas bíblicas, novo momento nesta história. Leitura jovem, popular, lúdica, com muita beleza, profundidade – para mim aqui esta uma virada na história desta casa. Empoderar a juventude com a Palavra de Deus.

    Oração: também vem deste os primeiros tempos, oração encarnada no chão da vida, na realidade da juventude. Que busca rezar com o outro, com outra, com o diferente – beber de outras fontes, inculturada, ecumênica, macro-ecumênica, cósmica. Alimenta a caminhada, uma oração que sustenta a mística da juventude (danças, cantos, encenações, cores, corpo – sempre missa de corpo presente)

    Ética/cidadania: prática do amor, arte de amar, profecia. Cuidar da vida. A juventude quer viver!

    Depois de fazer memória dos 25 anos da Casa da Juventude, pensando na Casa, no Caminho, no Corpo e nos Compromissos, Pe. Mirim motivou o grupo a pensar sobre que passos, atitudes e caminhos devem ser trilhados para os outros 25 anos. Para tanto, elaborou algumas questões:

    Como continuar ser uma casa de pessoas influenciadas por Jesus e não de admiradores? Como continuar a ser uma Casa de boa notícia? Jesus é uma Boa Notícia. Perceber sempre os sinais dos tempos; a opção preferencial pelos/as jovens e pelos/as empobrecidos/as. Continuar com a pedagogia da construção coletiva, fazer com a juventude e não cair no pecado de fazer para a juventude. Ouvir as juventudes. Ir ao encontro das juventudes. Que a Casa não tenha medo de deixar alguns projetos e ousar mais.

    QUANDO MORRER A UTOPIA (Música e letra: Gilbert Bácaud e Louis Amade.
    Versão do francês para o português: Pedro Casaldáliga)

    Quando morrer a utopia,
    quando morrer a utopia,
    toda canção,
    toda paixão,
    toda razão morrerão.

    Quando morrer a utopia,
    quando morrer a utopia,
    terra e céu,
    terra e céu,
    terra e céu tombarão.

    Quem cuidará das estrelas,
    quem velará pelas flores,
    no coração,
    em nosso chão,
    quando morrer a utopia?

    Por isso é que sonhamos,
    por isso é que arvoramos,
    com a canção,
    com a paixão
    nossa utopia, irmãos!

  • (Texto: Gardene Leão. Fotos: Aurisberg Matutino, Erick Corrêa e Thaís Félix. Virajovem Goiânia / Equipe de Comunicação - CAJU)

    Veja abaixo a cobertura completa da Assembleia do JubileuCaju25

  • “O que a memória amou ficou eterno...”
  • “Reconhecer os pilares”
  • Lugar de paz, do aconchego, da beleza
  • Frases da Assembleia de 25 anos da CAJU
  • Celebração do JubileuCaju25 na Paróquia São Francisco de Assis
  • Memória dos 25 anos da CAJU - Pe. Mirim”
  • Tem início a Assembleia do JubileuCaju25 - “Com a Juventude, Amar e Servir”
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