| João Bosco Penido Burnier nasceu em Juiz de Fora no dia onze de junho de 1917. Filho de Henrique Burnier e Maria Cândida Penido (Maria era tia de Henrique), em razão do estreito parentesco, os filhos foram nascendo surdos e, por conseguinte, também mudos, com exceção de Miguel, João Bosco, Tonico e Santinha. O casal tivera 9 filhos. No caso de João Bosco, a mãe fizera promessa a São João Bosco de dar ao filho o nome do fundador dos Salesianos se a criança nascesse normal, como de fato aconteceu. Aos 11 anos o desejo de Bosco era ser sacerdote, mas, não tinha idade suficiente, e pediu licença ao Cardeal Dom Sebastião Leme. Concedida a licença, Bosco foi para Paquetá em 1928, onde estava o seminário. Em outubro de 1933 o Cardeal Leme, enviou ao Pontifício Colégio Brasileiro de Roma, João Bosco e vários estudantes da arquidiocese do Rio de Janeiro. Cursou até o 3º ano de Filosofia na Universidade Gregoriana. Jovem, aos 19 anos, interrompeu os estudos para ingressar no Noviciado da Província do Brasil Central, em Nova Friburgo. Não pode cursar Teologia em Roma, por causa da Segunda Guerra, no começo de 1944, e foi estudar em São Leopoldo/RS.
As pessoas conheciam Bosco por seu juízo certo e seguro, com inclinação para o rigor. Ele com seu sorriso sabia dar a entender que não arredava pé do que dizia.
Exerceu importantes serviços na Educação: foi Mestre de Noviços e Diretor espiritual dos juniores entre 1959 e 1965. Alguns anos de sua vida foram dedicados à missão de Diamantino, Mato Grosso, servindo junto aos índios beiços-de-pau e bacairis, quando participou da coordenação regional do Conselho Indigenista Missionário – CIMI.
Dia 11 de outubro de 1976, Bosco estava com Dom Pedro Casaldáliga, participando dos festejos de Nossa Senhora Aparecida, em Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso. Ficaram sabendo que duas mulheres estavam sendo torturadas por policiais, e foram interceder por elas.
Os dois foram recebidos por quatro policiais. Quando pediam pelas mulheres, o soldado Ezy Ramalho Feitosa deu um soco, uma coronhada e um tiro na cabeça de João Bosco. O Padre caiu mortalmente ferido, sem reagir diante de tamanha violência. O soldado disse que era apenas para assustá-lo.
Dom Pedro lhe deu a Unção dos Enfermos, enquanto Bosco rezava, invocando várias vezes o nome de Jesus. Viu que sua hora havia chegando, ainda consciente, disse a Dom Pedro: “ofereço a minha vida pelos índios e este povo sertanejo”. Recordou de Nossa Senhora Aparecida e pronunciou suas últimas palavras: “Dom Pedro, terminamos a nossa tarefa!”
Não houve processo criminal contra o assassino, não foi preso nem julgado, Diziam: Se fosse um de nós... não seria estranho, acontece todos os dias. Porém um padre! Estes policiais perderam o sentido!
A causa verdadeira dessa violência tem raízes num sistema de falta de respeito à pessoa humana. Onde surge a tortura e a opressão dos pobres: de homens e mulheres, adolescentes, jovens, povos indígenas, pequenos agricultores e trabalhadores do campo e da cidade. Este martírio tem sido cimento na construção de um mundo novo na justiça e na caridade.
Ceila Rodrigues
Setor de Pesquisa da Casa da Juventude Pe. Burnier
Referências bibliográficas
MAIA, Pedro Américo. João Bosco Penido Burnier: mártir pela justiça. (resumo biográfico, com base na obra O Sangue pela Justiça do Pe. José Coelho de Souza) São Paulo: Loyola, 1981. |