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Celebração do Dia da Consciência Negra comemora 25 anos das APN’s e da CAJU print E-mail






“Ei Zumbi, Zumbi ganga meu rei, você não morreu, você está em mim. Ei Zumbi, os novos quilombos com seus quilombolas lutam pra resistir...”

A Casa da Juventude, em parceria com os/as Agentes de Pastorais Negros -APNs, realizou, no dia 20 de novembro, a Celebração pelo Dia Nacional da Consciência Negra, fazendo memória da luta do povo negro a partir do líder Zumbi dos Palmares, mártir da resistência no Brasil.

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Neste ano, o grupo celebrou os 25 anos da Casa da Juventude Pe. Burnier e dos/as Agentes de Pastorais Negros/as - APN's. (Clique e saiba mais sobre o JubileuCaju25)

Mais de 100 pessoas participaram da celebração, cantando, dançando, rezando e fazendo memória à luta de Zumbi dos Palmares e de tantos/as negros e negras que continuam sua história na defesa de uma sociedade igual para todos/as, sem qualquer tipo de discriminação.

Agentes de Pastorais Negros





As lutas de libertação desenvolvidas nas comunidades eclesiais de base e nos movimento sociais das décadas de 70 e 80 e tomada de consciência dos direitos dos/as empobrecidos/as fez perceber a negação dos direitos dos/as negros/as por motivos étnico-culturais. A partir dessa consciência, um grupo de negros e negras propôs uma reflexão a respeito do racismo e da discriminação nas igrejas e na sociedade.

Entre os anos de 1979 e 1982 aconteceram os primeiros encontros de negros e de negras motivados pela fé. Deste contexto particular nasceu a organização dos/as Agentes de Pastoral Negros (APNs), entidade do Movimento Negro, fundada em 14 de março de 1983, na cidade de São Paulo.

Participam dos Agentes de Pastoral Negros pessoas de diferentes comunidades de fé e envolvidas em uma série de ações pastorais, políticas, sociais, sindicais, educativas, preocupadas e empenhadas no desenvolvimento de ações para a promoção e a valorização da população negra e de combate ao racismo.

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Os APNs são uma estrutura de apoio onde a convivência se torna fonte de inspiração na grande luta em prol da libertação do povo negro. Saiba mais: http://www.apnsbrasil.com.br/interface/capa25.asp

Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo colonial. Estima-se que tenha vivido de 1655 a 1695. A data oficial de seu assassinato, 20 de novembro, foi transformada no Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado, em 1978. Um dos objetivos declarados era opor o 20 de novembro ao 13 de maio, que marca a abolição da escravatura pela princesa Isabel.

Localizado na Serra da Barriga, antiga capitania de Pernambuco, Palmares foi o maior e mais duradouro quilombo do Brasil. Seu provável início aconteceu em 1597, após a fuga de quarenta escravos/as de um engenho de Porto Calvo, sul da capitania. Longe das fazendas e da ira de seus senhores, os/as escravos/as foragidos/as fundaram o quilombo em um local de terras férteis e água em abundância. Dali também se tinha uma visão privilegiada de toda a área próxima. De acordo com alguns historiadores, o nome Palmares seria uma referência às palmeiras da região. Em seu apogeu, o Quilombo dos Palmares abrigou mais de 20 mil habitantes, em uma área de quase 27 mil quilômetros quadrados.

História

Batizado como Francisco por católicos, estima-se que Zumbi descenda de guerreiros imbangalas ou jagas, da região onde hoje fica o país africano de Angola. Com poucos dias de vida, Francisco/Zumbi foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e dado como presente ao padre Antônio Melo, em Porto Calvo. Zumbi cresceu favorecido pela admiração do padre. Aos 10 anos já sabia português e latim. Aos 12, era coroinha. Aos 15 anos fugiu da casa do padre para voltar a Palmares, onde adotou o nome de Zumbi e passou a trabalhar na liderança dos quilombolas.

Participou da batalha em que a expedição de Jácome Bezerra foi derrotada, em 1673. Três anos depois, em um combate contra as tropas de Manuel Lopes Galvão, foi ferido com um tiro na perna. Revoltado com um acordo de paz, assinado em 1678, que previa somente a liberdade dos negros do quilombo, Zumbi rompeu com o líder Ganga Zumba e foi aclamado o grande chefe pelos/as revoltosos/as, que, como ele, não aceitaram o acordo. Atacado pelas tropas lideradas por Domingos Jorge Velho, em 1694, foi baleado, mas conseguiu fugir e sobreviver.

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Um ano depois, reapareceu e voltou a atacar povoados em Pernambuco, para conseguir principalmente armas e munições. Porém, um de seus grupos acabou derrotado, e o seu comandante, Antônio Soares, foi preso. O bandeirante e mercenário paulista André Furtado de Mendonça torturou Soares e ofereceu-lhe a liberdade em troca da revelação do esconderijo de Zumbi. Em 20 de novembro de 1695, Soares levou Mendonça até a Serra Dois Irmãos, local onde Zumbi dos Palmares estava.

Muitos/as historiadores/as contam que, ao ver Soares, o grande chefe dos revoltosos levantou-se para abraçá-lo, mas foi recebido com uma punhalada no estômago. Seu corpo, perfurado por balas e punhaladas, foi levado a Porto Calvo, onde se decepou sua cabeça, que foi enviada para Recife. Por ordem do governador, ela permaneceu espetada em um poste para exposição pública.

Mesmo assassinado, o sangue de Zumbi corre entre o povo negro do país até os dias de hoje, que luta por liberdade e por uma sociedade com direitos iguais para todos/as, independente de cor, classe social, etc.

Negro Nagô

Eu vou tocar minha viola,
Eu sou um negro cantador.
O negro canta, deita e rola,
Lá na senzala do senhor.

Dança aí negro nagô

Tem que acabar com esta história,
De negro ser inferior.
O negro é gente e quer escola,
Quer dançar samba e ser doutor.

O negro mora em palafita,
Não é culpa dele, não senhor.
A culpa é da abolição,
Que veio e não libertou.

Vou botar fogo no engenho,
Aonde o negro apanhou.
O negro é gente como outro,
Quer ter carinho e quer amor.

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