Dom Pedro José Conti
Acabo de participar de um encontro da Pastoral da Juventude do Regional Norte 2, que compreende os estados do Pará e Amapá. Para quem está chegando à terceira idade é difícil ver o mundo com os olhos dos jovens, porém um pouco de convivência ajuda a entender o que eles sentem e esperam.
Sem dúvida cada geração é diferente, mas será que não tem nada em comum com as gerações anteriores?
Eu cheguei na universidade justamente nos anos da revolução estudantil, quando ocupar os prédios públicos era uma palavra de ordem e o ano acadêmico tinha mais horas de assembléia do que de aulas. No politécnico, onde estudei, o único computador funcionava com os cartõezinhos furados e nós, os estudantes, tínhamos umas horas de crédito para rodar os nossos trabalhos.
A minha juventude, na Igreja, foi na Ação Católica juvenil. Eram os anos do Concílio Vaticano II, quando os leigos foram convidados a ocuparem os seus espaços dentro da Igreja e muito mais na sociedade, como testemunhas do Evangelho, um verdadeiro e urgente fermento na massa. Para mim foram anos de entusiasmo e de novidade na Igreja; e de intermináveis assembléias e “lutas” na universidade. Passaram quarenta anos. A juventude mudou?
Hoje os jovens, e até as crianças, mexem com o computador como fosse o próprio bolso; têm blog pessoal, orkut, bate-papo, emóticos se mexendo na tela, celular etc. Estão sempre conectados. Mudaram as relações com os colegas, com os pais, com o outro sexo, com a religião. Muitos foram criados por babá eletrônica. O sonho da profissão talvez dependa mais do possível ganho futuro, do que do desejo de realização pessoal ou de ser úteis à sociedade.
A juventude mudou porque também mudou a sociedade. Eles, assim como nós, são o resultado dessas mudanças, mais visíveis na juventude, porque mais ansiosa de abrir os seus próprios caminhos. Mudou, sim, a juventude, mas tem algo dela que sempre a caracterizará.
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